terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pi - 1998

Pi é um dos filmes mais originais, inovadores, excêntricos e estranhos que já tive a oportunidade de assistir. Não espere apenas um filme matemático sobre o tal símbolo matemático que corresponde ao valor da razão entre a circunferência de um círculo pelo seu diâmetro. Este é apenas o ponto de partida de um filme complexo, angustiante, nervoso e inteligente, o qual requer muita atenção para entender tudo o que se passa - inclusive metaforicamente. Trata-se do primeiro filme independente do diretor Darren Aronofsky (que também fez o polêmico "Requiém para um sonho").

No filme, Max Cohen (Sean Gullette) é um matemático que tenta provar sua teoria que tudo na vida é baseado em padrões. Todas as coisas. Inclusive pessoas. Inclusive o mercado da bolsa de valores. Seus estudos se concentram basicamente em: 1 - tentar encontrar um padrão para o pi - que aparentemente é o único símbolo matemático no qual seus números são totalmente aleatórios (como curiosidade, o filme diz que no ano 2000 estudiosos chegaram a 51 Bilhões de dígitos no pi sem que exista qualquer padrão entre eles); 2 - encontrar um padrão que permita desvendar (e prever) os números da bolsa de valores dos EUA. Para isso, ele recebe financiamento de um grupo financeiro interessado nessa pesquisa, provendo custos para a construção de um supercomputador que possa realizar tais cálculos.

Max é tão brilhante e focado em suas pesquisas que se torna uma pessoa completamente anti-social e com alguns transtornos mentais (sem querer generalizar, por favor), além de algumas doenças que fazem com que ele precise tomar remédios controlados. A única pessoa com quem Max mantém contato é seu antigo professor Sol (Mark Margolis), que também estudava tais padrões e interrompeu suas pesquisas por motivos de saúde.

Se quer continuar na surpresa, não continue a ler este parágrafo. Após algumas pesquisas e conversas, surge no filme uma questão sobre um determinado número com 216 dígitos. E aparentemente sempre que uma máquina consegue calcular este determinado número, a máquina queima e o número é perdido. (Olha a viagem!!!) A explicação para este fato é que nesse ponto, os computadores se tornam conscientes e se auto-destroem para evitar que este número seja conhecido. E o motivo é religioso (e é um ponto bem interessante do filme): a religião judaica, mais precisamente a Cabala, é baseada no Torá (os 5 primeiros livros da Bíblia, eu acho). E na língua original em que foi escrito (hebraico), todas as palavras são relacionadas aos números (o filme mostra um exemplo bem legal de como pai, mãe e filho são escritos dessa forma). E o que isso tem a ver com o tal número de 216 dígitos? Este número, ao ser convertido para o hebraico, se torna o verdadeiro nome de Deus!!! E Max conseguiu obter esse número por seu supercomputador e esse número agora está dentro de sua perturbada cabeça.

E o restante do filme são várias sequências em que Max é perseguido pelos seus "investidores" e por fanáticos religiosos judaicos e sequências que mostram que Max está cada vez mais enlouquecendo com suas alucinações e dores de cabeça constantes (quem mandou olhar pro sol?). Esta segunda metade, na minha opinião, deixou um filme um pouco mais chato. Mas pela primeira metade, o filme vale a pena ser visto. As questões matemáticas e existenciais são ponto forte do filme, mas algumas questões técnicas também são muito interessantes, como por exemplo o filme ser todo filmado em preto e branco e possuir alguns padrões até mesmo em sua exibição. E só pra fechar, um dos aspectos metafóricos que citei logo no início. Boa parte do filme fala sobre espirais. Tente relacionar esses espirais com o próprio drama de Max, que vai definhando física e mentalmente até chegar a um ponto crítico.

E se você não entender o filme, é completamente normal e é muito provável que isso aconteça. Espere uns dias e assista-o novamente. Se achar necessário, repita esse procedimento (cuidado para não virar um padrão!). É difícil mesmo compreender a mente de uma pessoa conturbada. E é esse o maior mérito do filme: se já é difícil entender, imagine expor essa complexidade para as outras pessoas.

Cotação: 7,5

P.S: O filme custou míseros 60 mil dólares (acreditem, isso é MUITO pouco para se fazer um filme), conseguidos através da ajuda de amigos e vizinhos. Cada um doou US$100,00 e se o filme fizesse sucesso, todos receberiam US$ 150,00 (o que de fato aconteceu). Um diretor não precisa ser somente inteligente, tem que ser esperto.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Gangues de Nova York (Gangs Of New York) - 2002

Sinopse: Decidido a se vingar da morte do pai, líder de uma gangue, um homem acaba se tornando amigo e homem de confiança de seu inimigo, apaixonando-se também por uma bela jovem da gangue rival. Dirigido por Martin Scorsese (Os Bons Companheiros, Táxi Driver, Touro Indomável) e com Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis, Cameron Diaz, Liam Neeson e Jim Broadbent no elenco. Recebeu 10 indicações ao Oscar.

Não sei se eu estava cansado, mal-humorado quando vi esse filme. Talvez eu precise revê-lo brevemente. Apesar de gostar do que vi, não achei tão fantástico e imperdível como tantos falam. Mas um filme do grande diretor Martin Scorsese não pode ser ruim. Talvez tenham sido as 2 hs e 44 min (acreditem, o diretor queria um filme com 6 horas).

Neeson é o pastor Vallon, líder de uma gangue (ou tribo - algo comum na época e aparentemente indispensável) formada por irlandeses imigrantes denominada Coelhos mortos. Ao travar uma batalha contra os 'nativistas' liderados por Bill, O Açougueiro (Day-Lewis) em um local conhecido como 5 pontas, o pastor morre e seu filho é enviado para um orfanato. 16 anos depois, Amsterdan (DiCaprio) volta decidido a se vingar de seu pai. E como um filme dificilmente sobrevive sem um par romântico e mulher bonita, Amsterdan se envolve com a ladra punguista Jenny (Diaz). Um fato interessante é que temos o envolvimento amoroso, mas o filme não perde muito tempo no desenvolvimento desse romance. Pelo contrário, tem todo um fundamento na história.

O filme apresenta todo um contexto histórico interessante sobre a vida e o comportamento dos americanos 'nativos' na primeira metade do século XIX. Entre 1840-50, chegavam 15 mil emigrantes irlandeses por semana em Nova York fugidos da fome de lá, o que provocou a raiva e preconceito por parte dos americanos, denominados 'Nativistas'. Para os políticos, os irlandeses eram importantes por serem considerados votos. O filme também retrata a Guerra civil americana, em 1863, mostrando que a população carente se revoltou frente a convocação obrigatória para a Guerra (ou a dispensa por $300,00) e a conscrição criada pelo presidente Lincoln, que gerou vários dias de violência e destruição. O filme todo, aliás, é bastante violento, mas em comparação com "Kill Bill", são vários barris de sangue a menos. Como é muita história pra contar e ainda temos o desenvolvimento dos personagens, é justificada a duração do filme, mas infelizmente algumas partes a meu ver acabaram ficando monótonas. Mas sempre tem uma boa cena de ação intercalando esses momentos.

Leonardo diCaprio e Cameron Diaz, que nem sempre nos apresentam atuações dignas de destaque, dessa vez até que estão bem e existe um bom comprometimento e envolvimento com seus personagens (com certeza obra de Scorsese - ele faz milagres com atores), Neeson só aparece nos 5 primeiros minutos mas como sempre manda o seu recado. Agora, o filme é de Daniel Day-Lewis. Seu "Bill, o açougueiro" (em todos os sentidos) já entrou para a galeria de personagens marcantes.

Resumindo, os principais temas envolvidos durante o filme abordam a imigração irlandesa e o preconceito existente contra negros e imigrantes, e o tema das gangues (claro), com toda a sua violência e o poder que cercava as gangues mais influentes tinham sobre a polícia e os políticos. Talvez isso sirva pra refletir que as gangues e ruas de hoje não são mais tão sujas literalmente, mas nem tanta coisa mudou assim...

Cotação: 7,5

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Outono em Nova York (Autumn In New York) - 2000

Outono em Nova York é mais um típico exemplo de "dramance" água-com-açúcar, que tem os seus méritos, mas não traz nenhuma inovação. Um filme triste, nos moldes de "Doce Novembro" e "Um amor para recordar". É visualmente muito bonito e não é muito longo (104 minutos), o que já ajuda bastante. Mas é bem carregado no drama.

Will Keane (José Mayer, ops errei, Richard Gere) é um playboy cinquentão dono de restaurante que tem como promessa nunca ter um compromisso sério com uma mulher. Quando ele conhece Charlotte Fielding (Winona Ryder com 30 anos interpretando uma garota de 22), uma jovem que tem a metade da sua idade, imagina que terá com ela outro rápido e fácil romance. Apesar da diferença de idade, eles terminam se apaixonando e fazendo com que Will resolva mudar seu estilo de vida, até mesmo corrigindo alguns erros do passado. Mas esse é um romance com possível data para terminar, pois Charlotte tem um problema sério no coração e está em estado terminal (pra quem não viu o filme, não fique com raiva - essa informação é revelada logo no início).

O título "Outono em Nova York" não poderia ser mais propício, pois durante todo o filme vemos uma bela coletânea de imagens sobre esta época do ano na bela Manhattan. A diretora abusa das folhas caindo em paisagens como lagos e praças, mas não se pode negar que ficou legal. A dupla Gere-Ryder até que funciona bem e, se nenhum dos dois teve sua melhor atuação, eles também estão longe de atuarem apenas no automático. E nem adianta falar da diferença de idade, já que o objetivo do filme era esse mesmo. E para os que formam uma opinião rápida e aos 30 minutos já querem desligar a tv se não gostar, minha dica é esperar mais um pouco, pois o filme fica melhor a partir da metade.

Pra quem gosta do gênero, adora um melodrama e se emociona fácil, é seu tipo de filme. Mas se você espera algo a mais, nem perca seu tempo. O filme é competente, mas previsível. Mesmo assim, melhor do que muita coisa recente por aí.


Cotação: 7,7

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth) - 1986

Sua infância ocorreu nos anos 80? Você gostava de filmes de fantasia estilo "Os Goonies" e "A história sem fim?" Caso a resposta seja "sim" a essas perguntas, então você deve se lembrar de "Labirinto - A magia do tempo." Este é um dos melhores filmes infantis dos anos 80, além de ser um marco nos filmes de efeitos especiais pré animação digital. O mestre dos efeitos especiais Jim Henson (criador dos Muppets) fez aqui um de seus melhores trabalhos (e último, já que morreu em 1990) criando uma técnica de manipulação de bonecos e fantoches, que ficaram conhecidos como "animatrônicos". Além disso, a produção é de George Lucas e o roteiro de Terry Jones, do Monty Python.


Sarah (Jennifer Connelly, de "Uma mente brilhante", na época com 14 anos) é uma adolescente de imaginação fértil, que vive isolada em um mundo de sonhos e fantasia que a afasta de problemas familiares, como a perda da mãe e a obrigação de conviver com sua madrasta e ter que servir de babá para seu irmão Toby. Em uma noite de choradeira constante de seu irmão, ela recorre a um de seus livros preferidos "Labirinto" e pede aos duendes que levem seu irmão para longe. Para sua surpresa, seu pedido foi atendido pessoalmente pelo rei dos duendes Jareth (o camaleão David Bowie). Agora, ela terá que assumir a responsabilidade de trazer seu irmão de volta antes que Jareth o transforme em um duende - ou antes que seus pais cheguem em casa à meia-noite.

Para salvar seu irmão, ela deve ir até o castelo de Jareth que fica além da cidade dos duendes. E só para piorar um pouco, Jareth torna isso um pouco pessoal, já que ele se apaixona por Sarah. Para chegar no castelo, ela deve atravessar um labrinto no qual a todo momento as paredes mudam e que está repleto de criaturas mágicas - algumas irão tentar impedir que ela atravesse o labirinto e salve seu irmão, mas outras se juntarão a Sarah por meio dos sentimentos de gratidão, fidelidade, amizade e companheirismo.

Várias passagens do filme são metáforas ao amadurecimento de Sarah, em sua passagem da adolescência para a vida adulta. O próprio labirinto é uma metáfora aos caminhos que uma adolescente tem de percorrer na transição de uma criança para uma adulta. A cena do baile, além de ser um sonho de toda adolescente ter um baile de 15 anos, também remete a questão da sexualidade, de encarar o fato de estar sendo interesse de um homem mais velho, e coisas assim. Quantas adolescentes não se imaginaram namorando de um pop-star? Grande sacada do diretor em colocar David Bowie como o rei dos duendes, na época de 80 um dos grandes ídolos do Rock.

Em uma determinada cena no quarto de Sarah aparecem sutis referências: um bichinho de pelúcia que parece com o Sr. Dydimus, uma boneca que parece com Ludo, a roupa de Jareth em sua escrivaninha, o vestido do baile na boneca da caixinha de música, um jogo de tabuleiro que é um labirinto e a famosa gravura de Escher pendurada no quarto idêntica à sala de escadas. Esta cena no quarto é outra muito importante para o filme, na qual ela tem que decidir se quer continuar a ser criança a voltar a seus brinquedos ou quer assumir responsabilidades que não precisa ter nessa idade. Se eu contar todas as referências e metáforas do filme, vou descrevê-lo quase por completo. Portanto, é uma experiência que precisa ser vista.

Esse é um típico exemplo de um filme mágico, daqueles que você tem medo de ver depois de adulto por ter medo de "perder o encanto", e que faz você ter aquela lembrança gostosa do seu tempo de infância. Pois bem, arrisquei. Comprei este dvd em edição dupla de aniversário. E não me arrependi.

Junto à expectativa de rever um filme querido, ficava a todo momento a sensação de aparecer algum efeito especial - que na época eu achava incrível - ficar completamente tosco ou ridículo. Bom, não vou negar que houve sim uma cena horrível (a dos bichos rosa estranhos que ficavam jogando a cabeça pra cima). Não sei se foi alguma restauração ou realmente a cena era assim, mas foi o único defeito que eu achei, ignorando os efeitos datados, que não tinham como ficar melhores devido à limitação da época. E é muito interessante (o dvd traz um making-of falando sobre isso) como a criatividade transformava os filmes, proporcionando cenas maravilhosas sem utilizar nada complexo ou computação gráfica (a cena das mãos no buraco é genial!).

Enfim, o filme continou com seu lugar de destaque, e não tenho mais receio em vê-lo e recomendá-lo para todos os que querem um momento de nostalgia assistindo a um filme de fantasia simples e emocionante. Maravilhosos cenários, ótima trilha sonora, bonecos e fantoches cativantes e uma magia que passa pro outro lado da tela.

Cotação: 9,5

PS. Outro dos atrativos do filme é a trilha sonora, toda composta por David Bowie (óbvio). Algumas músicas fazem sucesso até hoje. Seguem as letras e a tradução: 1 - Underground; 2 - Magic Dance; 3 - Chilly Down; 4 - As the World Falls Down; 5 - Within You.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diário de uma paixão (The Notebook) - 2004

Seria só mais um filme de amor adolescente...Seria mais um romance de verão...Seria apenas mais um filme "água com açúcar" da menina rica que se apaixona pelo rapaz pobre, se não fosse a maneira como a história foi contada. O filme é extremamente comovente, com paisagens e fotografia primorosa, e conta uma das melhores histórias de amor que já vi. Um filme que não tem medo de se assumir que é romântico à moda antiga e prova que cumpre com louvor o objetivo de emocionar o público.

Acompanhamos a história em dois momentos que se intercalam durante todo o filme. Duke (James Garner) é um senhor que já sofreu 2 enfartes, e passa os dias em uma clínica para idosos. Todos os dias ele lê um diário para uma senhora chamada Sra. Calhoun (Gena Rowlands), que sofre do mal de Alzheimer. A história contada no diário é sobre um casal de jovens apaixonados: Noah (Ryan Gosling) e Ellie (Rachel McAdams). Ele, um carpinteiro de origem humilde. Ela, uma menina rica que está passando as férias de verão no interior. O diário conta como os dois se conheceram e se apaixonaram. Também conta todos os problemas que tiveram que enfrentar para ficar juntos, como a resistência da mãe de Ellie em virtude da diferença de classes sociais e a posterior separação do jovem casal, sem que um conseguisse ter notícias do outro - Noah escreveu 365 cartas para Ellie em um ano, todas ocultadas por sua mãe. Após 7 anos, com Noah já amadurecido pelo tempo e Ellie noiva e apaixonada por um jovem bonito e rico (James Mardsen - "de X-Men"). Mas basta uma foto e uma casa reformada para mostrar a Noah e Ellen que a história de amor deles estava longe de terminar.

Você já deve ter visto algo parecido em algum lugar. Certeza. E muito embora os jovens atores estejam muito bem em seus papéis e nos tragam ótimos momentos através de suas atuações e da química entre eles (com destaque para a premiada cena do beijo no lago), o espetáculo mesmo fica por conta do experiente casal hospedado na clínica. Aos mais atentos, logo você percebe o que está por trás da leitura do diário, mas seja qual for o momento em que você perceber o rumo da história, você ficará comovido. E se até aí você ainda segurar o choro, espere até os momentos finais. A declaração de amor de Duke e sua prova de fidelidade e companheirismo fazem com o que já era bom ficar inesquecível.

Cotação: 9,8

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Garota, interrompida (1999)

Garota, interrompida (Girl, interrupted) aborda um período da juventude da escritora Suzanna Kaysen, e é baseado no livro de memórias que a própria autora escreveu. Por ser uma história real, contada com muita fidelidade e supervisionada de perto pela própria autora, já vale ser visto. Mas o filme tem outras qualidades.

Suzanna (Winona Ryder) é uma jovem problemática, que acaba sendo convencida a internar-se numa clínica psiquiátrica após ingerir uma grande quantidade de remédios - fato considerado tentativa de suicídio por todos menos pela própria Suzanna, que apenas queria livrar-se de uma dor de cabeça. Ou não...

O fato é que o que seria apenas uma temporada de descanso resultou em um período de descobertas, sofrimento e aprendizado. Para uma escritora, significa uma maravilhosa experiência. Para uma garota imatura de 17 anos, significa uma jornada de dificuldades em busca de ajuda e auto-conhecimento. Suzanna passou a conviver com jovens de mesma idade, mas com diferentes problemas mentais, dramas pessoais e familiares. Diagnosticada como portatora da doença chamada Transtorno de Personalidade Limítrofe (ou Borderline) - borderline personality disorder, aos poucos Suzanna vai descobrindo que o primeiro passo para ela melhorar de sua doença é ter consciência de que está doente.

As residentes da clínica onde Suzanna se interna apresentam diferentes graus de enfermidade mental, e dentre elas se destaca a sociopata Lisa (Angelina Jolie). O relacionamento entre as duas torna-se bastante complexo, na medida em que ora tentam se ajudar, ora se afastar. Nesses 2 anos de convivência, Suzanna utilizou seu diário para escrever sobre sua vida e suas companheiras. Tais anotações posteriormente serviram de base para o livro e o filme.

Enfim, um grande filme. Sobretudo por poder acompanhar duas excelentes atuações: Winona no auge da carreira, antes de ser interrompida pelo famoso furto de roupas em Nova York, e Angelina Jolie absolutamente brilhante, num papel que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante e, ao lado de Gia, é seu melhor trabalho até hoje. Outra atriz iniciante na época que trabalhou muito bem é Brittany Murphy como Dayse. Whoopi Goldberg está apenas razoável num papel que não lhe ajuda a ter um maior destaque e a experiente Vanessa Redgrave como sempre está muito bem nas (poucas) cenas em que aparece. Merece muito ser visto.

Cotação: 9,4

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

12 Homens e uma sentença (1957)

Pode um filme de tribunal, antigo, preto e branco, que se passa 98% no mesmo cenário e somente com diálogos prender a sua atenção por mais de 90 minutos? A resposta é sim! 12 homens e uma sentença (12 angry men) é um excelente filme sobre o ser humano. Suas fraquezas, seus medos, seus preconceitos, etc. Na sua visão "jurídica", aborda temas que raramente são apontados em outros do gênero, como o julgamento precipitado, julgamento sem conhecimento de causa, por conveniência, entre outros.

A história é a seguinte: um jovem é acusado de assassinar seu próprio pai com uma faca. Existem duas testemunhas que disseram ter visto e/ou ouvido o assassinato. O juiz então convoca os 12 jurados a uma decisão, contanto que seja unânime. Na sala dos jurados, a primeira votação resultou em 11 votos por culpado e 1 voto por inocente. Agora, cabe ao jurado Nº 8 (Henry Fonda) explicar aos demais porque não votou por culpado. E o que se vê depois disso é um show de argumentação, raciocínio lógico, sensatez e inteligência. Aos poucos, o jurado 8 - que é um arquiteto - vai convencendo os demais com o mesmo argumento: "em nenhum momento eu disse que ele era inocente. Apenas não tenho certeza de que ele é culpado" e em seguida fazendo com que os jurados pensem melhor nos detalhes ou julguem sem preconceito, pressa ou preguiça. E, de fato, em nenhum momento o jurado afirmou que o jovem realmente era inocente ou culpado. Mas tinha consciência de que estava lidando com uma vida humana, e ele não podia condená-lo à cadeira elétrica a menos que tivesse certeza absoluta de sua culpa.

Pra quem gosta de bancar o detetive ou pro pessoal da área jurídica, o filme é perfeito. Devia ser obrigatório em qualquer curso de direito. Para aqueles que gostam de filmes inteligentes, também é mais do que obrigatório. Tudo bem que em alguns momentos realmente nós espectadores não podíamos adivinhar, já que se tratavam em depoimentos de testemunhas que não apareceram no filme, mas a cada dedução ou argumentação do jurado 8 eu ficava impressionado como eu não tinha reparado antes ou não tinha dado a devida atenção a um pequeno detalhe ou frase. Vai ser difícil encontrar algum outro filme do gênero que seja do mesmo nível desse.

Para fazer justiça, segue os nomes dos 12 jurados que fizeram esta obra-prima de filmes de tribunal. Acredite, nenhum deles é um mero figurante que balança a cabeça estilo novela da globo. Todos tem sua importância na história. Martin Balsam - Jurado nº 1, John Fiedler - Jurado nº 2, Lee J. Cobb - Jurado nº 3, E. G. Marshall - Jurado nº 4, Jack Klugman - Jurado nº 5, Ed Binns - Jurado nº 6, Jack Warden - Jurado nº 7, Henry Fonda - Jurado nº 8, Joseph Sweeney - Jurado nº 9, Ed Begley - Jurado nº 10, George Voskovec - Jurado nº 11, Robert Webber - Jurado nº 12.

Cotação: 9,7

P.S.: Agradeço a minha amiga Yáskara por ter me dado esse ótimo dvd de presente.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Antes que termine o dia (2004)

Sinopse: Ian (Paul Nicholls) e Samantha (Jennifer Love Hewitt) formam um casal feliz e cheio de planos para o futuro. Enquanto Samantha busca demonstrar seu amor a todo momento, Ian procura voltar sua atenção para a carreira e os amigos. Após um dia em que tudo deu errado, eles terminam o namoro. Entretanto um acidente faz com que a vida deles mude de rumo. No dia seguinte Ian percebe que acordou novamente no dia anterior, tendo a chance de refazer tudo o que tinha feito antes, só que agora da forma correta.

Não sou muito fã de filmes assumidamente tristes, mas esse aqui vale muito a pena ver. Mas faço questão de avisar: o filme é triste, sobretudo o final, mas tinha que ser assim. Senão o filme seria mais uma comédia romântica descartável. Esse filme tem muito a nos ensinar, mas pra não estragar nenhuma surpresa, pouco resta a falar sobre ele. É uma lição de vida, que nos faz pensar o quanto nossa vida profissional afeta a nossa vida pessoal e joga na cara aquele velho ditado "você só dá valor a alguma coisa quando você a perde". Aboslutamente uma verdade.

Também é um belíssimo exemplo de declaração de amor. Amar alguém não pode ser expresso apenas com palavras e atitudes para serem vistas, mas também nas pequenas coisas e na sinceridade de seus atos e palavras. Quando você percebe o quanto vale a vida da pessoa amada, se dá conta que realmente a ama.

Por último, também remete ao velho questionamento: quantas mudanças não faríamos em nossas vidas se tivéssemos a visão clara de tudo o que está errado? O que você faria se tivesse a oportunidade de corrigir alguma falha ou algum fato? E se eu pudesse voltar atrás? E se? If Olny? (o nome original do filme...) O filme te faz pensar sobre esse assunto, mas passa longe da ficção estilo "Efeito Borboleta" e "A Máquina do tempo", ou seja, não é um drama sobre culpa ou tentativas de evitar a morte da pessoa amada. É mais do que isso. É sentimento. É sensibilidade. É um dos filmes mais tristes que já vi. No entanto, um dos melhores.


Cotação: 9,8

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Sogra (2005)

Sinopse: Jane Fonda é Viola Fields, uma antiga apresentadora de televisão que entra em surto ao descobrir que vai ser substituída por uma profissional mais nova. Quando sai da clínica de reabilitação, descobre que seu filho único Kevin (Michael Vartan) está prestes a se casar com Charlie (Jennifer Lopez), uma garota sem emprego fixo, sem grandes ambições, sem família e sem uma educação mais refinada. A antipatia entre as duas será imediata, e o conflito será intensificado quando as duas são obrigadas a passar uma semana juntas na mesma casa, enquanto ele se afasta para um congresso de trabalho.

Trata-se de uma comédia um pouco acima do razoável. Algumas boas piadas, personagens coadjuvantes roubando as cenas como a assistente Ruby (Wanda Sykes) , um amigo gay da personagem principal e todos os ítens obrigatórios de uma comédia romântica. Como curiosidade, o título original com trocadilho em inglês (Monster-in-law) ficou muito mais engraçado e chamativo do que simplesmente "A sogra" ("Mother-in-lay"), como temos por aqui. Se bem que para alguns brasileiros só essa palavra já basta...

Sua principal qualidade é a presença do ícone Jane Fonda ("Barbarella") - afastada das telas a 15 anos - e a beleza latina da cantriz Jennifer Lopez. O maior pecado é não investir mais no que o filme tem de melhor - a guerra entre sogra e nora. Nos momentos em que estão tentando uma arruinar a vida da outra, o filme funciona bem. Mas infelizmente terminam logo. O final é óbvio e praticamente obrigatório nesse estilo, mas na minha humilde opinião ficou muito melodramático e a sensação é que todas as "desavenças" foram resolvidas rápido demais. Entendo como deve ser difícil achar o ponto certo aonde terminar com as piadas para o filme não parecer exagerado ou monótono, mas esse era o caso de inserir uns 10 minutinhos a mais de "guerra". Seriam 10 minutinhos a mais de diversão. Daqui a pouco ele aparece na sessão da tarde, e se aparecer vai ser melhor do que a maioria dos que passam hoje


Cotação: 7,5

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Orgulho e Preconceito (2005)

Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice) é um romance que se passa em 1797 na Inglaterra, onde uma família humilde chefiada pelo Sr. Bennet (Donald Sutherland) e sua esposa (Brenda Blethyn) luta para criar suas cinco filhas. A Sra. Bennet possui uma fixação em casar suas filhas com maridos ricos e com posses para que o futuro delas e de sua família ficasse garantido. Mas uma de suas filhas, Elizabeth (Keira Knightley) - conhecida por Lizzie, quer mais do que um casamento por conveniência. Quando o jovem topetudo Sr. Bingley (Simon Woods) chega à cidade, este se interessa durante um baile pela mais velha e bela das irmãs, Jane (Rosamund Pike). Na ocasião, seu amigo Sr. Darcy (Matthew Macfadyen) nega-se a dançar com Lizzie, o que desperta o ódio da moça.

Óbvio que este ódio se tornará amor, já que estamos falando de um romance. O que se espera ao ver um filme como esse é justamente saber como esse sentimento irá mudar e quais os motivos. E ao longo dos seus 127 minutos, a história nos mostra vários elementos, personagens e situações que compõem bem esta atmosfera de romance de época.

Os sentimentos de orgulho e preconceito que batizam o filme ficam bem claros nos personagens de Darcy e Lizzie, em virtude de suas diferenças sociais e culturais, e na forma como ambos relutam em aceitar seus sentimentos, o que significaria transpor barreiras e reconhecer que algumas atitudes ou impressões estavam equivocados

Não espere um ritmo ágil neste romance. Entretanto, apesar de lento, não é um filme arrastado nem tive aquela sensação chata de que demora a passar (exceto nos primeiros 20 minutos em que a sequencia de dança poderia ser beeeem encurtada). O filme apresenta um ótimo desenvolvimento dos personagens, belas atuações de um elenco quase completamente formado por atores ingleses, um belíssimo figurino de época e lindas paisagens. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Jane Austen e é considerado um dos mais famosos da Inglaterra. Nunca li o livro, mas depois de assistir ao filme, fiquei com vontade de ler. E de rever o filme em outras oportunidades. Para os adeptos de um bom romance, é uma ótima pedida.

Cotação; 9,0